domingo, 31 de janeiro de 2016

Vejam e tirem vocês Mesmos suas próprias conclusões sobre o Irã que prepara 200 mil soldados para a chegada do “Messias islâmico” Para estudiosos, esse pode ser o anticristo bíblico.

SENÃO PERCEBEREM O QUE ESTA ACONTECENDO NO MUNDO A HUMANIDADE PODERIA ESTAR INDO TODA PARA O MESMO BURACO, SALVO SE TODOS FICAREM ALERTAS QUANTO A ISSO E FIZEREM UMA CONVERSÃO MORAL, ÉTICA E DE TODOS PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA QUE ISSO NÃO OCORRA, NÃO É MESMO????
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...Em entrevista ao jornal Turkish Daily Sabah, da Turquia, Jafari explica que a recente onda de violência e o que ocorre atualmente na região, incluindo a ascensão do Estado Islâmico e outros grupos extremistas, são sinais que a chegada do messias muçulmano é iminente.
“Os eventos que ocorreram nos últimos anos estão preparando o terreno para o surgimento de Imã Mahdi. Segundo o Middle East Monitor, esse “exército” reúne jovens na Síria, Iraque, Afeganistão, Paquistão e Iêmen.
Na tradição islâmica, há uma “profecia” de Maomé, feita no século sétimo sobre isso. Mas ela recebe diferentes interpretações. Os muçulmanos xiitas defendem que o mahdi se levantará após um período de violência generalizada e instabilidade...
...

Quem é o mahdi?

Semelhantemente a teologia cristã, o islamismo possui uma versão sobre o final do mundo.
Em seu livro Islam: The Cloak of Antichrist [Islã: O Manto do Anticristo], o autor Jack Smith afirma que o Alcorão prediz que Jesus (chamado por eles de Issa) descerá do céu e vai unir forças com o Messias profetizado pelo Islã, chamado de “Mahdi”. Jesus, então, afirmará que o Islã é a única fé verdadeira e criticará os cristãos por terem erroneamente feito dele o Filho de Deus.
A teologia muçulmana xiita afirma que grandes guerras devem ocorrer na Terra, durante as quais um terço da população mundial irá morrer em combate e outro terço por causa da fome e da violência. Israel deve ser destruído para que então o 12 º imã, chamado de Mahdi, apareça para matar todos os infiéis, levantando a bandeira do Islã em todos os cantos do mundo.
Os líderes do Estado Islâmico, que já conquistaram partes da Síria e do Iraque, insistem que estão se preparando para a “batalha final” entre o bem e o mal, que contará inclusive com Jesus Cristo voltando a Terra para se juntar a sua causa.
Atualmente, mais de dois terços do um bilhão de muçulmanos que vivem no planeta esperam que o Mahdi venha logo, indica uma pesquisa recente do Instituto Pew Research...
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Cerca de 70% dos cristãos do Iraque deixaram o país e muitos tiveram de fugir de suas casas por causa da violência. Mas, como o Pastor Farouk Hammo, muitos outros cristãos decidiram permanecer para fortalecer a igreja e compartilhar o amor de Cristo com outras pessoas. Faça parte do Domingo da Igreja Perseguida, um dia de oração pelos cristãos no Iraque e na Síria: domingo da igreja perseguida... ( Eu oro pela Igreja Perseguida compartei do Facebook o vídeo de Missão Portas Abertas.

#DIP2016 - Perseverança para o Iraque

Cerca de 70% dos cristãos do Iraque deixaram o país e muitos tiveram de fugir de suas casas por causa da violência. Mas, como o Pastor Farouk Hammo, muitos outros cristãos decidiram permanecer para fortalecer a igreja e compartilhar o amor de Cristo com outras pessoas. Faça parte do Domingo da Igreja Perseguida, um dia de oração pelos cristãos no Iraque e na Síria: www.domingodaigrejaperseguida.org.br

Publicado por Missão Portas Abertas em Quinta, 28 de janeiro de 2016

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Outros textos e pontos importantes sobre a disciplina na igreja. A disciplina deve ser aplicada contra os que causam dissensão e divisão . Paulo, em Tito 2.15-3.11, diz o seguinte:

Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze.

Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra,não difamem a ninguém; nem sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens.

Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.

Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos,não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador,a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.

Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens. 

Evita discussões insensatas, genealogias, contendas e debates sobre a lei; porque não têm utilidade e são fúteis. Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada. 

Paulo está exortando a Tito para que exerça sua autoridade, como líder da igreja, ensinando, exortando e repreendendo os membros da igreja para que não sejam difamadores e briguentos. Antes, devem ser obedientes, cordatos, corteses, não somente para com os crentes mas para com os descrentes também. Ele lembra a Tito e a nós que características condenáveis já fizeram parte da personalidade e do modo de vida de muitos de nós, antes da salvação, mas pela graça e misericórdia de Deus fomos regenerados pelo Espírito Santo e transformados para as boas obras. Devemos, portanto, evitar discussões fúteis e sobre assuntos secundários que não levam a lugar algum. A pessoa facciosa, que quer causar divisão, deve ser admoestada uma e duas vezes, mas depois disso deve ser evitada, ou seja, excluída, por recusar as advertências e por preferir viver em pecado. 

b. Os que ensinam doutrinas falsas, bem como os que as praticam, devem ser disciplinados . Novamente, Paulo, em Ro 16.17-20, ensina que a igreja deve afastar os que causam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina por ele ensinada. O texto diz: 

Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos. 

Pois a vossa obediência é conhecida por todos; por isso, me alegro a vosso respeito; e quero que sejais sábios para o bem e símplices para o mal.

E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco.

Paulo especifica o perigo existente nas palavras daqueles que procuram os seus próprios interesses, mas falam suavemente, com palavras de elogio, enganando o coração dos incautos. 

No livro de Apocalipse, 2.12-16, João registra as palavras de Cristo, advertindo a Igreja de Pérgamo, e a todas as nossas igrejas (2.17), contra aqueles que procuram incitar o povo de Deus a práticas contraditórias à fé cristã. Ali lemos: 

Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem
a espada afiada de dois gumes:

Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.

Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.

Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.

Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.

A menção à doutrina de Balaão, no v. 14, identifica o ensinamento dos que possuem motivos pessoais, rasteiros, aqueles que, mesmo com linguajar que aparenta honrar a Deus, não estão preocupados com a santificação da igreja, mas se empenham em destruir as linhas demarcatórias de comportamento que identificam o povo de Deus e os distinguem do mundo ("comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição"). A doutrina dos nicolaítas é igualmente condenada (v. 15). Essa é também uma referência aos que advogavam uma vida dissoluta e imoral no seio da igreja. Na carta anterior (à igreja de Éfeso), as obras dos nicolaítas foram condenadas. Agora a menção é contra a sua doutrina. Notem que a condenação e a chamada ao arrependimento vêm para toda a igreja (vv. 14 e 16), por não exercer a disciplina e por conservar tais pessoas em seu meio.

c. A disciplina deve ser exercida com precaução e deve ser divulgada. Em 1 Tm 5.19-22, temos o ensinamento de que as denúncias devem ser substanciadas, não aceitas levianamente: 

Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas.

Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam.

Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade.

A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro.

Cautela é prescrita especificamente para as denúncias contra os oficiais (v. 19 - "duas ou três testemunhas"), mas o princípio de que deve haver substância e provas, nas denúncias, é genérico. O outro ensino deste trecho é que a disciplina dos que "vivem no pecado" (v. 20) se exerça "na presença de todos". Isso significa que ela não deve ser alvo de uma resolução velada. Paulo dá uma razão para isso - "para que também os demais temam". A disciplina tem essa característica didática de proclamar e provocar o temor do Senhor, livrando membros do pecado para uma vida em santidade e conformidade com a pureza de Cristo. 

d. O objetivo final da disciplina é o arrependimento do disciplinado. 

Dois textos nos falam a esse respeito. O primeiro é 2 Ts 3.6-15: 

Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo,
que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes;

pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós, nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes.

Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma. Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão.

E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem. Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão.

Paulo enfatiza a necessidade do afastamento de "qualquer irmão que ande desordenadamente", contrário aos ensinamentos que recebeu (v. 6). O exemplo dado por Paulo é para aqueles que se acomodam no ócio, tornam-se um peso para os outros e passam a ocupar o tempo "intrometendo-se na vida alheia" (v.11). Esses, e aqueles que "não prestarem obediência" à palavra dada por Paulo, na sua carta, devem ser disciplinados (v. 14). Paulo indica que não deve haver "associação" com o faltoso e dá uma razão para tal: "para que fique envergonhado", ou seja, para que se conscientize de sua falha e, sob humilhação perante a disciplina exercida pela igreja, se arrependa. Esse texto é encerrado com as seguintes palavras de cautela (v. 15): "Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão". 

O segundo texto é 2 Tm 2.22-26: 

Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor. E repele as questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram contendas.

Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.

Nesse texto Paulo volta a reforçar que o cristão deve caracterizar-se por seguir "a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor" (v. 22). Nesse sentido as "questões insensatas e absurdas" devem ser não somente evitadas como repelidas, quando introduzidas no seio da igreja (v. 23), pois só geram contendas. Contenda não deve fazer parte da postura do servo de Deus. Este deve ser brando e capaz de ensinar com paciência (v. 24). A disciplina deve ser exercida em mansidão (v. 25), com o objetivo de que Deus conceda aos disciplinados "não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade" (v. 26). 

Conclusão

Vivemos em uma era sem restrições e sem limites. Por isso, talvez, a questão da disciplina na igreja seja tão incompreendida e até negligenciada. Muitos questionam a legitimidade da sua aplicação - "com que direito?" Outros se revoltam quando a recebem. É preciso que saibamos que o direito e a autoridade da disciplina procedem do Senhor da igreja, que a comanda. É preciso que nossos olhos sejam abertos para que verifiquemos que a rejeição da disciplina é um grande mal. A recusa de sua aceitação ou a revolta por ela significam agir contra o objetivo maior, que é o reconhecimento do pecado, o arrependimento sincero e a restauração à plena comunhão da igreja visível. 

Examinamos textos bíblicos que falam claramente sobre a necessidade de preservarmos nossa vida em sintonia com as diretrizes de Deus, em santificação e pureza, contribuindo para a edificação do corpo de Cristo. Esses mesmos textos especificam a necessidade da disciplina, que vai desde a autodisciplina, continuando com a admoestação individual e chegando até a exclusão, se necessário. O testemunho da igreja demanda fidelidade às diretrizes bíblicas, nesse sentido. Num mundo sem regras, Deus, em sua misericórdia, coloca a sua igreja como baluarte para que os seus padrões sejam reforçados e seguidos. Supliquemos a Deus que nos preserve em pureza, na plena comunhão de sua igreja e que compreendamos e defendamos o exercício da disciplina, quando necessária. 


(Publicado em O Presbiteriano Conservador nas edições de Julho/Agosto e Setembro/Outubro de 2000)

Fonte... (Continue lendo)... As marcas da Igreja. Paulo ensina (v. 8) que a igreja deve ser conhecida pela "...sinceridade e verdade..." e não pelo "...fermento da maldade e da malícia".

   ** O perigo da falta de disciplina:

Paulo, escrevendo à igreja da Corinto (1 Co 5.1-13), alerta para os perigos que sobrevêm quando se é negligente na aplicação da disciplina. Nesse trecho lemos: 

Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade
tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se
atreva a possuir a mulher de seu próprio pai.

E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?
Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja,
em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor,entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.

Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.

Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade.
Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros;
refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo.

Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.
Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro?Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.

Notem, no trecho, os seguintes pontos que o Espírito Santo fez registrar para a nossa instrução: 

a. O pecado na igreja entra em choque com o seu caráter santo, mas ele ocorre. Não é negando a realidade de sua existência que resolvemos o problema. No versículo 1, ele diz: "...há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios...". Ou seja, o que estava ocorrendo naquela igreja chocaria até os descrentes, mesmo com sua visão dissoluta. 

b. Muitos pecados atingem um estágio público e notório . Esse mesmo versículo 1 começa com as palavras: "Geralmente, se ouve que há entre vós...". A questão não era privada, de mais fácil resolução e aconselhamento, mas já se espalhara, chegando até ao conhecimento de Paulo, que se encontrava distante. 

c. Acomodação e orgulho. A falta de ação revelava acomodação da consciência individual e coletiva ao pecado, em forma de rebeldia e soberba. No versículo 2, Paulo se espanta que aqueles irmãos "... não chegaram a lamentar" toda aquela demonstração de vida em pecado. Paulo diz ainda que eles se achavam "ensoberbecidos", ou seja, se orgulhavam da postura tomada em vez de estarem conscientes do mal que era causado ao testemunho do Evangelho. Ainda sobre a ausência de disciplina naquela igreja Paulo diz: "... não é boa a vossa jactância..." (v.6). Eles nada haviam feito, portanto, para "... tirar do meio" o que havia praticado aquilo que o próprio Paulo chama "ultraje" e "infâmia" (v.3). Quando a disciplina não é exercida, nossas consciências vão sendo cauterizadas e conformamo-nos ao modo de comportamento do mundo e, também, deixamos de nos chocar, de identificar o contraste com a forma de vida prescrita para o servo de Deus. Paulo ensina que a ação correta era a exclusão daquele membro (v. 5) - ele deveria ser "entregue a Satanás", ou ser considerado como descrente, pois o seu modo de vida não testemunhava uma conversão verdadeira. Estaria, portanto, sob o domínio de Satanás. Essa constatação não era para ser feita individualmente, mas corporativamente, pela autoridade e no poder de Cristo. No versículo 4 ele escreve: "...em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor...".

d. O perigo especificado. Paulo diz (vs. 6 e 7): "...Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento." A igreja era para ser "massa sem fermento" - pura. A admissão de um pouco de fermento, apenas, atingiria toda a massa. Ou seja, deixar que o comportamento incompatível com a fé cristã permaneça no seio da igreja, sem disciplina, significa pôr em risco a saúde espiritual de toda a comunidade. 
e. As marcas da Igreja. Paulo ensina (v. 8) que a igreja deve ser conhecida pela "...sinceridade e verdade..." e não pelo "...fermento da maldade e da malícia".

f. O esclarecimento quanto à associação. Paulo reconhece que o mundo é constituído de impuros. Ele diz que não está ensinando que a igreja deva se isolar do mundo. Existindo no mundo ela terá contato com "...avarentos, ou roubadores, ou idólatras..." (v.10). Mas ele reforça que não deve haver "associação com impuros" (v.9) e explica quem são esses a quem ele chama de impuros, no versículo 11 - é aquele que "...dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador...". Ou seja, é aquele que professa a fé cristã, mas tem comportamento imoral ("impuro"); ou tem afeição descabida pelas suas próprias posses materiais ("avarento"); ou o que distorce a religião verdadeira por sua prática ou ensinamentos ( "idólatra"); ou o que tem o hábito de caluniar ou de espalhar boatos ("maldizente"); ou o que está sob o domínio de substâncias que impedem o comportamento racional ("beberrão") - nas quais estão a bebida alcoólica e, certamente, as drogas -, em vez de sob o controle do Espírito Santo; e, finalmente, o que demonstra ganância e não respeita a propriedade alheia ("roubador"). 

g. A rigidez da disciplina - A necessidade era a de se exercitar "julgamento interno" (v.12) contra o "malfeitor", expulsando-o do seio da igreja (v. 13). Esse julgamento deveria ser evidente a todos e deveria ser sentido pelo disciplinado; isto é, ele deveria sentir que a comunhão fraterna havia sido atingida pelo seu pecado: "com esse tal, nem ainda comais". Muitas vezes membros, com boas intenções, confundem o desejo legítimo de restauração do disciplinado com um apoio prejudicial ao mesmo. Não se limitam a indicar que estão em oração, mas colocam "panos quentes" na ação do Conselho. Muitas vezes os disciplinados são alvo de um aconchego e atenção após a disciplina que não somente minam a autoridade da igreja, mas são prejudiciais ao próprio disciplinado, que deixa de sentir os efeitos danosos da falta de comunhão que o seu pecado causou. A advertência de Paulo é dura, mas devemos orar a Deus por sabedoria para saber como aplicar essa exortação com respeito a membros disciplinados por pecados graves nas nossas igrejas, de tal forma que eles sintam que algo mudou e que a comunhão procedente do Espírito é restaurada mediante o arrependimento sincero e o testemunho verdadeiro de uma conversão real. 

h. O objetivo final - Não podemos esquecer o objetivo final de Paulo com a disciplina, especificado no versículo 5: "...a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus." O objetivo era a salvação daquela alma disciplinada. Essa deve ser também a nossa visão: consciência da necessidade da disciplina, percepção dos perigos da sua falta de aplicação, apoio à sua aplicação correta no caso de comportamento anticristão contumaz, oração e desejo de arrependimento pelo disciplinado. 

http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/nav/pregacoes/texto.cshtml?categoria=pastorais&id=75

MATRÍCULAS para 2016
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O Cabeça da Igreja (Sermão inédito – Spurgeon). Nº 839 Sermão pregado no Domingo, 1º de Novembro de 1868 Por Charles Haddon Spurgeon No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres. “Ele é a Cabeça do corpo, da igreja” Colossenses 1:18.

O Cabeça da Igreja - Spurgeon capa
Para nos mostrar que o título de “Cabeça da Igreja” é para ser considerado na mais alta estima, ele é apresentado aqui vinculado às mais elevadas honras do nosso Senhor Jesus.  Simultaneamente, o Filho de Deus é designado “a imagem do Deus invisível”, “o primogênito de toda criatura”, o Criador de toda a existência, e então, “a Cabeça do corpo, da igreja.” Não ousemos, portanto, menosprezar este título, nem hesitemos em afirmar que qualquer atitude leviana em relação a ele seria tão vergonhosa quanto o uso profano de qualquer outro nome do nosso Divino Senhor. Pois se qualquer mortal pressupuser para si esta designação, conceberíamos ser a mesma blasfêmia que aceitar arbitrariamente o ofício mediador – e não deveríamos ficar mais perplexos ao ouvir um homem afirmar ser “o Criador de todas as coisas” do que estamos agora quando um mortal é nomeado ‘Cabeça da Igreja”.
O que é a Igreja? A palavra significa uma assembleia. A igreja de Jesus Cristo é uma assembleia de homens fiéis, o grupo dos escolhidos de Deus, Seus convocados, toda a comunidade dos Seus verdadeiros seguidores. Onde estiverem os verdadeiros Crentes, aí está uma parte da Igreja. Onde não estiverem estes homens, qualquer que seja a organização em existência, ali não está a Igreja de Jesus Cristo.  Esta não é uma corporação de padres, nem uma associação de não-convertidos – é a reunião daqueles cujos nomes estão escritos nos Céus. Qualquer reunião de homens fiéis é a Igreja.
O conjunto de todas estas assembleias de homens fiéis constitui a única Igreja que Jesus Cristo redimiu com seu mais precioso sangue, e da qual somente Ele é a Cabeça. Uma parte desta Igreja está no Céu, triunfante! Outra parte na terra, militante – mas essas diferenças de lugar não causam nenhuma divisão na unidade verdadeira. Existe somente uma Igreja no céu e na terra.  O tempo não causa separação, a Igreja é sempre uma – a dos Apóstolos, a dos Reformadores, a do primeiro século, a dos últimos tempos, e desta Igreja, que se constitui uma só, Jesus Cristo é a única Cabeça.
I. O QUE SIGNIFICA A LIDERANÇA DO SENHOR JESUS SOBRE A IGREJA? Este é o tópico sobre o qual, de maneira rápida, meditaremos primeiro.  Entendemos que esta liderança é a representação da Igreja como um corpo. Falamos de soma de cabeças, significando deste modo pessoas – a Cabeça representa todo o corpo. Aprouve a Deus relacionar-se com a humanidade como uma comunidade e seu grande Pacto foi feito com homens num corpo, não com indivíduos separados. Ou seja, na primeira Criação, Deus não lidou tanto com cada pessoa em particular da mesma maneira que o fez com a raça humana como um todo representada em um só homem, o primeiro Adão.
Foi veementemente ordenado que a raça estivesse fortemente ligada ele, que ficasse de pé se ele ficasse e que caísse se ele caísse.  Por isso, meus Irmãos, a Queda, e então o pecado original, e então as amarguras desta vida. Para que houvesse salvação, a qual talvez só foi possível porque não caímos individualmente (pois os demônios, por terem caído individualmente e separadamente, estão reservados sem esperança de misericórdia para o fogo eterno), Deus instituiu uma segunda federação, da qual Jesus Cristo é a Cabeça. O Apóstolo O chama de o segundo Adão. Ele é a Cabeça daquela parte da humanidade que são os Seus escolhidos—Seus redimidos, os quais são conhecidos neste mundo por serem levados a crer Nele e, no final de todas as coisas, serem reunidos no Seu descanso.
Ora, Jesus Cristo coloca-se, em relação à Sua Igreja, na mesma posição que Adão colocou-se em relação à sua posteridade. São eleitos Nele, aceitos Nele e protegidos Nele – “Salvos pelo Senhor com salvação eterna.” Como Suas próprias palavras declaram: “Porque eu vivo, e vós vivereis.” Nos próximos capítulos desta Epístola, o Apóstolo nos mostra que os santos são enterrados, ressuscitados e vivificados com Jesus. É ainda mais explícito em Romanos 5, onde a liderança de Adão e a de Jesus são comparadas e contrastadas.
Nosso Senhor é Cabeça no sentido espiritual, explicado em Colossensses 2:19: “A cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus.” A Cabeça é indispensável para a vida do corpo: é a base da vida mental, o templo da alma. E assim Jesus Cristo é a Cabeça que a todos vivifica. “Ele é a nossa vida.” “ Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.” A vida de cada membro do corpo espiritual depende da vida da Cabeça espiritual. Todo filho vivente obtém sua vida espiritual através de Jesus Cristo. Nenhum membro verdadeiro da Igreja tem a vida em si mesmo. “Porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” Separação de Cristo significa morte do espírito: “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará.”
A Cabeça, espiritualmente, não é simplesmente a fonte da vida e a base dos sentimentos, mas é o trono do governo supremo. É o cérebro que envia o decreto de levantar a mão ou a ordem para que esta se coloque de lado. O homem caminha, fala, dorme ou levanta-se do sofá de acordo com o ditame daquele algo real e misterioso que se encontra dentro da cabeça. Deste modo, na verdadeira Igreja de Deus, Jesus Cristo é a grande Cabeça direcionadora. As únicas ordens obrigatórias originam-se Dele. A Ele os verdadeiros religiosos rendem alegres homenagens. Seus membros deleitam-se em fazer a vontade da sua Cabeça.
Todo o corpo da Igreja, motivado por Sua vida e cheio do Seu Espírito, o mais prontamente reconhece Sua primazia sobre todas as coisas. Os Cristãos são perfeitamente governados por Jesus na medida em que estão, em verdade, unidos a Ele, e é somente por causa da velha natureza que habita na separação de Cristo que os Crentes praticam ofensas e transgressões. Jesus os governa como a Cabeça governa todos os membros do corpo, até o limite da sua espiritualidade. A Cabeça é também a glória do corpo. Ali habita a principal maravilha da humanidade. A imagem Divina é mais bem vista no semblante – a face é que caracteriza a glória do homem.
O homem mantém sua cabeça erguida – seu semblante não está voltado para a terra como o da besta – irradia inteligência intensamente. É a evidência de uma mente imortal. A beleza escolhe o semblante como seu lugar favorito. Majestade e tenura, sabedoria e amor, coragem e compaixão aí exibem seus emblemas – todas as Graças escolhem a cabeça como seu lugar favorito de habitação. Neste sentido, nosso Senhor é sabiamente saudado como a “Cabeça”. Ele é mais justo que os filhos do homem – a Graça Divina está derramada nos Seus lábios. Toda a beleza da Igreja está centralizada em Jesus Cristo. O que seria Sua Igreja sem Ele? Uma carcaça, um cadáver medonho desprovido de toda sua glória por estar separado da sua Cabeça.
O que foram todos os homens bons, grandes e excelentes que já viveram sem Cristo? Muitas cifras sobre uma mesa – eles não valem nada até que o seu Senhor, como a grande Unidade, é colocado diante deles para dar-lhes poder e valor! Assim, efetivamente, formam uma grande soma—mas sem Ele, são menos do que nada e pura vaidade! A Igreja de Deus seria indecorosa se não agisse com graça diante de toda a beleza que Jesus partilha com ela!  Sua cabeça é como o ouro mais puro! Seu Semblante é como o Líbano, excelente como os cedros! É o principal entre 10,000 e o totalmente aprazível – glorioso é aquele corpo do qual Ele é a coroa e a excelência! A Igreja pode ser corretamente chamada de a mais formosa entre as mulheres quando sua Cabeça deste modo sobrepuja todas as belezas da terra e dos Céus!
Outra imagem usada para descrever a Liderança de Cristo sobre a Igreja é a conjugal. Assim como o Senhor formou Eva da costela de Adão, também formou a Igreja do lado de Cristo Jesus, e ela pertence e Ele assim como Eva pertencia a Adão – a Igreja é formada de Sua carne e de Seus ossos. Uma união misteriosa foi estabelecida entre Cristo e ela, união esta constantemente comparada à instituição do casamento: “Porque o marido é a Cabeça da mulher, como também Cristo é a Cabeça da igreja: sendo ele próprio o salvador do corpo.” Jesus é o Noivo e Sua Igreja é a Sua Noiva. São desposados, um com o outro. Estão comprometidos para sempre nos vínculos do amor e possuem a mesma expectativa sagrada, esperando o dia do casamento, quando será alcançado o propósito eterno de Deus e o desejo do Redentor.
Jesus reina em Sua Igreja como o marido exerce a liderança em seu lar, de nenhuma maneira (quando o relacionamento é conduzido de modo correto) despótica ou pedante, mas um governo edificado na lei da natureza e endossado pelo consentimento do amor. Não como um tirano, obrigando e constrangendo Sua noiva submissa contra a vontade dela, mas como um marido amado, recebendo obediência voluntária do coração da sua amada, sendo em todas as coisas tão admirado e apreciado como para obter uma indisputável primazia! Esta liderança conjugal é ilustrada pela Palavra de Deus na antiga profecia: “Ela me chamará: Meu marido e já não me chamará: Meu Baal.” Baal e Marido significam senhor, porém diferem no significado. Um é um simples governante, e o outro um marido amado.
No reino de Cristo não existe despotismo! Seu cetro não é feito de ferro. Ele não governa com golpes, ofensas e ameaças, mas seu cetro é de prata e Sua regra é o amor. As únicas correntes usadas por Ele são as da Sua Graça constrangedora. Seu domínio é espiritual e extende-se sobre corações dispostos que se deleitam em curvar-se diante Dele e prestar a honra que é devida ao Seu nome. Acredito que estes são os sentidos em que a palavra “liderança” é usada. No entanto resta outro, e todos os anteriores qualificam este último, no qual pretendo concentrar-me por mais um tempo esta manhã.  Cristo é a Cabeça da Sua Igreja como é Rei em Sião. No centro da Igreja de Deus o governo supremo é investido na pessoa de Cristo. “Porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos.”
A Igreja é o Reino de Deus entre os homens. É puramente espiritual – abrangendo somente homens espirituais – e existindo somente para objetivos espirituais. E quem é o seu Rei? Ninguém exceto Jesus! Em verdade podemos dizer como eles disseram dos antigos que proclamaram o Reinado do Crucificado: “Há outro rei, Jesus.” A Ele as assembleias dos santos prestam toda a majestosa honra e diante do Seu Trono toda a Igreja se curva, saudando-o como Mestre e Senhor. Não prestamos reverência espiritual a nenhum outro. Somente Cristo é Rei sobre o monte Sião, ali posto por decreto eterno, mantido nesta posição por poder infinito e designado para ficar no Trono até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés.
Quem dera esta manhã houvesse em mim eloquência para que pudesse dar um testemunho digno dos direitos à coroa do rei Jesus Cristo em Sua Igreja! Não conheço nenhum assunto sobre o qual seja mais necessário insistir nestes tempos agitados. Deixe Jesus ser reconhecido como a única Cabeça da Igreja e a saída para o atual debate político que incita nossa nação será clara o suficiente. A falta de conhecimento da Verdade de Deus cega muitos! Faz com que laborem de todo o coração por uma causa má, pensando que o estão fazendo para Deus. Conhecer esta Verdade significa ter a posse de uma responsabilidade muito importante com a qual não devemos brincar.
Mártires derramaram seu sangue por Ela! Urzes da Escócia foram manchadas em 10.000 lugares, e suas águas foram tingidas de rubro em defesa desta importante doutrina. Que não nos refreemos da coragem inabalável para declarar, uma vez mais, que reis e governantes e parlamentos não possuem jurisdição legal sobre a Igreja de Jesus Cristo, que não convém ao melhor dos monarcas reivindicar estas prerrogativas reais as quais Deus deu ao Seu Filho unigênito. Somente Jesus é a Cabeça do Seu reino espiritual, a Igreja!
E todos os outros que entram nos seus limites para exercer poder são usurpadores e Anticristos, não devendo, em nenhum momento, ser respeitados pela Igreja do Deus vivo quanto à sua autoridade usurpadora! Algumas Igrejas não aprenderam esta lição, e estão dominadas como cachorros por seus senhores. Ajoelham-se aos pés do Estado para comer as migalhas que caem da mesa de Mamon!  E se forem algemadas e espancadas pelas autoridades, será por merecimento – e eu quase oraria para que o chicote as atingisse ainda com mais peso até que aprendessem a apreciar a liberdade e estivessem dispostas a remover a coleira do Estado e serem libertadas da dominação humana!
Se perderem um pouco de riqueza ganharão o ouro genuíno do favor de Deus e o poder permanente do Seu Espírito, que não podem esperar receber enquanto forem traidores do Rei Jesus e não reconhecerem a única e exclusiva Liderança do Emanuel sobre a Igreja.
II. Portanto, iremos agora, em segundo lugar, olhar um pouco para esta Liderança de Jesus Cristo num sentido régio, no que se refere às SUAS IMPLICAÇÕES. Desde que Cristo é a Cabeça do Seu corpo, a Igreja, somente Ele pode determinar doutrinas para ela. Nada deve ser aceito como Divinamente garantido, exceto se vier com Seu selo. Meus irmãos, não significa nada para o servo fiel de Jesus Cristo que certo dogma surja com a marca dos tempos antigos para torná-lo venerável. O cristão, como uma pessoa sensata, respeita a antiguidade, mas como servo leal ao seu Rei não se curva perante estes de maneira a permitir que governem em Sião ao invés do Cristo vivo!
Uma multidão de bons homens pode ajuntar-se, e, em seu julgamento, propor um dogma e declará-lo essencial e indubitável. E podem ainda ameaçar com grandes perigos àqueles que não acatam seu veredito! Mas se o dogma não foi autorizado muito antes de decidirem – se não estiver escrito na Bíblia – a determinação do versado conselho se reduz a nada! Todos os padres e doutores e teólogos protestantes e confessores juntos não podem adicionar uma palavra à fé uma vez transmitida aos santos! Sim, aventuro-me afirmar que nem o consentimento unânime de todos os santos no Céu e na terra seria suficiente para vincular uma única doutrina à consciência, a menos que Jesus assim tenha determinado!
Em vão dizem os homens: “A Igreja primitiva agiu assim” – a Igreja primitiva não tem supremacia sobre nós! Não existe propósito em citar Orígenes ou Agostinho! Cite os Apóstolos Inspirados e a doutrina está estabelecida, mas não ao contrário! Na Igreja de Cristo nunca é suficiente dizer: “Assim pensa Martinho Lutero.” Quem foi Martinho Lutero? Um servo de Jesus Cristo e nada mais! Não é suficiente afirmar: “Assim ensina João Calvino”, porque quem é João Calvino? Derramou ele seu sangue por você, ou é ele o seu mestre? Sua opinião deve ser respeitada como a de um conservo, mas em nenhum aspecto como a de um doutor ou mestre impositivo na Igreja – porque somente Jesus é Mestre, e nenhum homem na face da terra deve ser chamado assim!
Suponha que eu tenha recebido uma Verdade de Deus pelo próprio homem que foi o instrumento de minha conversão? Estou limitado, em sinceridade e afeto, a ter-lhe todo o respeito devido à relação existente entre nós. Devo, no entanto, tomar cuidado para que isto não caia em idolatria, e eu mesmo me torne nada mais do que um recebedor da Verdade de Deus como palavra do homem, ao invés de aceitá-la como a Palavra de Deus.
Devo, portanto, da forma mais honesta e não menos atenciosa, testar toda a Verdade de Deus que tenho recebido – seja do meu pai ou mãe ou ministro ou de alguns grandes homens do passado cujos nomes aprendi a respeitar – buscando toda a iluminação de cima para conduzir-me corretamente.
Na Igreja de Deus só é considerada doutrina o que está ensinado nas Escrituras. Para os Cristãos não significa nada afirmar que certas doutrinas são ensinadas em livros de oração comum, de conferências sobre disciplina ou de teologia sistemática. Não é importante que tanto o Presbitério, ou o Episcopado ou a Independência tenham deixado suas marcas sobre certa forma de ensino. A autoridade não é nada mais que um estalo de dedos, a menos que a Verdade, deste modo sugerida, produza segurança com base no testemunho do próprio Jesus Cristo, que é a Cabeça do Seu corpo, a Igreja!
Então, visto que Ele é a Cabeça, só Ele pode legislar no tocante à Igreja. Em um Estado, se um grupo de pessoas declarasse fazer leis para a região, seriam ridicularizados. E se, por um momento, tentassem impingir seus próprios costumes e regulamentações a despeito das leis do país, ficariam passíveis de punições. Ora, a Igreja de Deus não tem nenhum poder para fazer leis para si mesma, posto que não é sua própria Cabeça – e ninguém tem nenhum direito de fazê-lo para ela, pois somente Cristo é o seu Cabeça. Cristo sozinho é o Legislador da Igreja e nenhum costume ou regulamentação na Igreja Cristã possui significado, a menos que em seu espírito haja, no mínimo, a mente de Jesus para sustentar e dar respaldo.
Uma e outra coisa têm sido consideradas certas na Igreja, e, portanto, foram estabelecidas e normatizadas – a tradição dos pais estipulou certos costumes. E então?  Ora – se podemos ver claramente que o costume e a norma não estão de acordo com a essência da Sagrada Escritura e do Espírito Santo, uma e outra coisa não tem valor para nós!  Mas e se o costume é apoiado por todos os homens bons de todas as épocas? Declaro que nada importa se o Senhor não ensinou! Nossa consciência não deve ser prisioneira! Se uma lei fosse respaldada por 50,000 vezes o número de todos os santos, não teria nenhuma autoridade sobre a consciência mesmo do mais fraco dos Cristãos se não fosse estabelecida pelo nosso próprio Rei! E a violação de tal mandamento humano não seria pecado, mas poderia, de fato, tornar-se uma carga para permitir que os homens enxergassem que não são servos dos homens, mas de Jesus Cristo o Senhor!
Nos assuntos espirituais é de extrema importância deixar claro este fato – que a não conformidade só é pecaminosa quando se recusa a obedecer à vontade de Cristo – e a conformidade é, em si mesma, um grande pecado quando obedece uma norma que não provém da ordenação do Senhor! Quando nos reunimos nas Assembleias da Igreja, não podemos elaborar leis para o reino do Senhor! Nem ousemos tentar! Aquelas regras necessárias, na medida em que são feitas para cumprir as ordens do nosso Senhor – como reunir-se para adorar e proclamar o Evangelho – são recomendáveis por serem práticas indispensáveis à obediência das Suas mais elevadas leis. Mas mesmo estes pormenores são intoleráveis se violam, de maneira clara, o espírito e a mente de Jesus Cristo.
Ele nos deu orientações espirituais ao invés de instruções legais e liturgias restritivas! E nos deixou livres para seguir as direções do Seu próprio Espírito libertador. Porém, se criamos uma regra considerando-a muito sábia – mas é contrária ao Espírito do nosso Senhor – ela será perversa em si mesma e não deverá ser tolerada! Neste caso, a Igreja colocou limites nos direito da sua Cabeça, e agiu incorretamente. Em efeito, arrancou o cetro da Sua mão e gerou uma divisão. A criação de leis na Igreja terminou naquele dia em que a maldição foi pronunciada sobre o único que deve tirar ou adicionar à Palavra de Deus! Cristo e somente Cristo é o legislador da Sua Igreja—ninguém mais além Dele!
Mas vou um pouco mais longe e arrisco-me a dizer que Jesus não é só o Legislador da Igreja, deixando-nos Seus Estatutos, suficientes para guiar-nos em todos os dilemas, mas também é o Administrador vivo da Igreja. É verdade, Ele não está aqui, mas como monarcas que administram através de tenentes, assim o Senhor Jesus administra através do seu eterno Espírito, o qual habita no coração do seu povo. Não devemos pensar em Cristo como alguém que está morto e enterrado. Se estivesse aqui na terra, creio que somente Ele reivindicaria ser a Cabeça da Igreja, ninguém mais. Sua presença intimidaria todos os impostores de imediato – e embora não esteja aqui em Pessoa, mesmo assim não está morto!
Ele vive! Está sentado no Trono preparado para Ele do lado direito do Pai! Está aqui em Espírito!. “Veja! E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” E o que deve pensar a verdadeira Cabeça da Igreja quando vê outro colocado em Seu Trono e, de maneira herética, designado por Seu título? O que a Cabeça vivente que se move no meio da Igreja deve sentir com respeito a uma invasão tão blasfematória como esta? Ele, o Espírito Santo, é o Vice-Gerente de Cristo, o Representante do Filho do Homem ausente!
E como este Espírito administra as Leis de Deus? Minha resposta é: através do Seu povo, pois o Espírito Santo habita nos verdadeiros Crentes! E quando reunirem-se como servos do Senhor e humildemente clamarem por Sua orientação, podem esperar recebê-la. E se abrirem o Livro de Estatutos e observarem suas normas claras no tocante a que rumo tomar, podem ficar bem seguros de que suas ações terão a aprovação do seu Senhor! Se, primeiramente, procurarem pela instrução no Livro da Lei do seu Senhor e depois buscarem entendê-la através do Espírito Santo – embora sejam várias mentes – serão conduzidos como um só homem a escolher seu caminho, o qual será segundo a mente de Cristo.
Agindo com humildade e obediência – baseados não em sua autoridade, mas na de Cristo, que ainda reina na Igreja através do Seu Espírito – os Crentes de fato testemunharão que Cristo é até hoje a Única Cabeça da Sua Igreja no que se refere à verdadeira administração e também à legislação. A autoridade exclusiva de Jesus Cristo deve ser mantida rigorosamente em todos os aspectos; no entanto, as Igrejas tendem a ser guiadas por coisas diversas. Alguns nos guiam pelos resultados. Temos escutado uma discussão sobre a questão se devemos ou não continuar com a obra missionária, posto que há tão poucos convertidos. Como esta pergunta pode jamais ser levantada enquanto as ordens do Mestre funcionam assim: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”?
Articulado pela boca de Jesus, nosso Governador, aquele comando permanece válido, e os resultados das missões não podem ter efeito sobre as mentes leais de maneira alguma no que se refere ao seu prosseguimento! Se daqui a 10.000 anos nenhuma alma fosse convertida a Deus através de missões estrangeiras – se neste tempo ainda restasse a Igreja de Cristo, seria sua obrigação, com vigor crescente, impulsionar seus filhos ao campo de missões porque sua obrigação não é medida pelo resultado, mas pela majestosa autoridade de Cristo!
Assim que, igualmente, a Igreja não deve ser regulada pelos tempos. Alguns nos dizem que esta era exige um tipo de pregação diferente daquela de cem anos atrás, e que doutrinas consideradas adequadas há 200 anos, nos tempos dos Puritanos, não o são mais. Dizem-nos que o ministro deve manter-se atualizado – este é um período de reflexão e filosofia e o pregador deve, portanto, filosofar e produzir seu próprio pensamento ao invés de “mera declamação”- a qual é o nome culto para o claro anúncio do Evangelho de Jesus Cristo! Mas, Senhores, não é assim! Nosso Rei é o mesmo e as doutrinas que Ele nos deu não foram mudadas por Sua autoridade, nem as regras que Ele estabeleceu foram revogadas por Sua proclamação!
Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre! Deixe que os tempos sejam polidos ou rudes.  Que se tornem filosóficos ou se afundem no barbarismo – nossa obrigação ainda é a mesma, em solene lealdade a Jesus Cristo, “porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.” Mas as descobertas da ciência, nos dizem, tem afetado materialmente a fé, e por isso devemos mudar nossos estilos de acordo com as mudanças da filosofia. Não, não deve ser assim! Esta é uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo que deve ser quebrada contra aquele que tropeça. Ainda temos o mesmo Rei, as mesmas leis e o mesmo ensinamento da Palavra – e devemos passar este ensinamento da mesma maneira e no mesmo espírito!
Semper idem deve ser nosso lema—sempre o mesmo, sempre perto de Jesus e glorificando-O – porque Ele, e não os tempos, nem a filosofia e nem a sagacidade do homem deve governar e administrar a Igreja de Deus! Se fizermos isto, se alguma Igreja fizer isto – em outras palavras, tirar sua Verdade dos lábios de Jesus, viver de acordo com Sua Palavra e avançar em Seu nome – esta Igreja não pode, em nenhuma possibilidade, falhar, porque o fracasso de tal Igreja seria o fracasso da própria autoridade do Mestre!  Irmãos e Irmãs, Ele nos afirmou que se guardássemos os Seus mandamentos, permaneceríamos no Seu amor!
Ele estará sempre conosco, até a consumação dos tempos! E deu à Sua Igreja Seu Santo Espírito de acordo com a plenitude daquelas palavras que pronunciou quando soprou em Seus Apóstolos: “Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e aqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.” Então, uma Igreja atuando por Cristo, proclamando os julgamentos de Deus sobre o pecado com Sua autoridade, encontrará estes julgamentos cumpridos. E ao abrir as câmaras da casa do tesouro da misericórdia de Deus àqueles que buscam Jesus Cristo pela fé, estes tesouros serão dados livremente de acordo com o anúncio da Igreja, o qual foi feito em nome do seu Mestre.
Vá em nome dela própria, e ela fracassa! Vá em nome do Senhor, e ela vence! Leve com ela o Seu livro de instruções, ande em obediência aos Seus Estatutos, fique livre do senhorio dos homens – e a história da Igreja será escrita em algumas linhas como estas: “Formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército com bandeiras.” Receio que, através destas palavras, tenha exposto de maneira não tão clara minha crença sobre o que as Escrituras ensinam a respeito da liderança de Cristo, ou seja, que Ele é o único mestre da doutrina, o único fazedor de leis espirituais. Que Ele é o Administrador vivo das leis do Seu próprio reino espiritual, e, por isso, a Igreja não dever possuir nenhuma autoridade diferente da de Cristo – e quando possuímos esta autoridade, a obedecemos – sem acalentar nenhum medo concernente ao resultado. 
III. Terceiro, ONDE ESTA LIDERANÇA SE FUNDAMENTA? De maneira muito resumida, se fundamenta na natural supremacia da Natureza de Cristo. Quem deve ser a Cabeça, senão Jesus? Ele é um homem perfeito, coisa que não somos. Ele é o primogênito entre muitos Irmãos, e nós somos os mais jovens e mais fracos. Ele é Deus sobre todas as coisas, abençoado para todo o sempre. Por certo, ninguém, exceto Ele, deve ser Rei sobre Sião, pois não existe nenhuma parte da Igreja que seja Divina senão sua Cabeça!
A liderança Dele é o resultado inevitável e essencial da Sua obra. Ouça como Seus membros cantam –
“O Senhor nos remiu com Seu sangue,
Libertou os prisioneiros.
Nos fez reis e sacerdotes para Deus,
E reinaremos com o Senhor.”
Quem poderia ser a Cabeça a não ser Aquele a quem tal louvor pode ser outorgado? Ele nos lavou em Seu sangue – Ele deve ser a Cabeça! Ele nos amou desde antes da fundação do mundo – Ele deve ser o Comandante. Sua mão direita e Seu braço santo deram-Lhe a vitória – que seja coroado Rei dos reis e Senhor dos senhores! Aquele lagar de uvas onde pisoteou Seus inimigos, até que Suas vestes fossem tingidas com sangue, foi a garantia de que se sentaria no trono do Seu Pai e reinaria para todo o sempre!
Além disso, o decreto de Deus decidiu isto de maneira indisputável. Leia o Salmo 2 e aprenda que quando os reis da terra se levantaram e os príncipes conspiraram contra o Senhor e contra o seu Ungido,  Aquele que  habita nos céus ria-se de sua conspiração e zombava dos Seus inimigos! “Mesmo assim,” diz Ele, “ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião.” “ Proclamarei o decreto: “O SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.” Quão gloriosamente diz a promessa: “Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro. Tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.” É parte do eterno propósito de Deus a respeito da Igreja que Cristo fosse constituído sua Cabeça. E se existe uma Igreja do Deus vivo, é também inevitável que desta Igreja Cristo fosse a única Cabeça .
Além disso, Irmãos, e, no entanto, uma vez mais – não é nosso Senhor a Cabeça da Igreja através da aclamação universal e consentimento de todos os membros desta Igreja? Nunca criamos um candidato a rival! Nenhum coração renovado por Sua graça consegue desejar um rei diferente! –
“Glória e majestade puseste sobre ele
Que inclinou Sua Cabeça para a morte!
E sejam reverenciados os Seus atributos
Por todo o ser que respira.”
Rivais dentro do território comprado com Seu sangue? Rivais contra o Filho de Davi?! Que desapareçam como a fumaça! Que sejam como pragana arrebatada pelo vento ao seu arco!
Rei Jesus! Aclamem todos! Vida longa ao Rei! Tragam o diadema real! Não veem como os anjos O coroam? Não ouvem as canções do querubim e do serafim: “Digno és, digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos”? Não ouvem o cântico eterno dos que venceram através do Seu sangue: “Digno és, digno és, porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus”? Enquanto a igreja na terra se une em um hino solene “E coroá-Lo, coroá-Lo, coroá-Lo Senhor de tudo, pois digno é o Cordeiro, que foi morto.”
Pela supremacia da Sua Natureza. Pela necessidade da Sua obra consumada. Pelo decreto do Pai. Pelo consentimento universal de todos os que foram lavados pelo Seu sangue, Ele é a única Cabeça da Sua própria Igreja! 
IV. O que então, irmãos, O QUE ENTÃO ISTO CONDENA? O que isto condena? Condena a abominável pretensão de uma liderança Papal! De fato, um papa em Roma é a Cabeça da Igreja de Jesus Cristo! Bem, se o Papa é cabeça da Igreja – se assim o é – então veja o que, de acordo com as Escrituras, ele é. Este Pio IX é isto: o princípio, a cabeça do corpo, a Igreja. Então antes do supramencionado Pio IX não havia nada?
“O primogênito dentre os mortos”? Afirma ele haver ressuscitado dentre os mortos? “Que em todas as coisas deve ter a primazia” – é este também o antigo direito italiano? “Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude”— a blasfêmia não ousa aplicar-se a este governante vacilante cujos cofres precisam ser reabastecidos com o Óbolo de São Pedro. Mesmo assim esta é a descrição da Pessoa que é a Cabeça da Igreja, e se Pio IX não é nada disso, não é cabeça da Igreja! Mas talvez seja a segunda Cabeça? Então a Igreja de Cristo é um ser monstruoso com duas cabeças!
Talvez algum dia possam fingir que são três, e então chamarão a coisa de Cérbero, e Mastim do Inferno, e não estaremos longe da verdadeira ideia do Papismo. Não, mas ele é a autoridade delegada. Para quê? Por que Cristo delegaria autoridade que Ele mesmo pode exercer? “Mas precisamos de uma representação, porque Cristo está ausente”. Mas o Espírito Santo é esta representação, e está aqui. De todos os sonhos que jamais iludiram os homens, e provavelmente de todas as blasfêmias jamais pronunciadas, nunca houve nenhuma que seja mais absurda e mais frutífera em todos os sentidos do prejuízo do que a ideia que o Bispo de Roma possa ser a Cabeça da Igreja de Jesus Cristo!
Não, estes papas morrem, e não o são! E como viveria a Igreja se sua cabeça estivesse morta? A verdadeira Cabeça vive sempre e a Igreja vive sempre através dela! Mas é afirmado que deve necessariamente existir uma liderança visível, e agora mesmo nos dizem todos os dias que devemos escolher, no que se refere à igreja, entre a liderança do monarca da Inglaterra e a liderança do papa em Roma. Perdão senhores – não temos tal escolha, porque quando somos perguntados qual delas escolheremos para nos guiar nos assuntos espirituais, dizemos: “Nenhuma, nenhuma nem por um momento!” Falamos abertamente sobre o assunto, reis e rainhas não são Cabeças da Igreja para nós.
Não toleraremos dominação espiritual proveniente de um primeiro-ministro inglês mais do que de um papa Católico! Somos igualmente contrários aos dois – toda liderança humana deve fracassar! Para a nossa bem-amada rainha toda a honra e reverência como uma das melhores governantes em assuntos civis. Mas nos assuntos espirituais na Igreja de Cristo ela não tem poder de decisão – o que ela pode ter na Igreja da Inglaterra é uma outra questão. Não faz diferença se é mulher ou homem – se é príncipe ou padre – não aceitaremos czar, imperador, rainha, papa, serafim ou anjo para reinar na Igreja de Jesus Cristo!
A Igreja não possui governador legal ou Senhor supremo, exceto o próprio Jesus Cristo. Nosso Senhor, ao que me parece, aborda esta questão de maneira tão direta na palavra de Deus a ponto de me surpreender que homens que acreditam na Bíblia pensem que o Estado possa estar na liderança da Igreja! O partido da Igreja Estatal colocou a Bíblia com uma coroa e um cetro em seus anúncios! É sugestivo que a Bíblia esteja fechada – pois se Ingleses fossem lê-la alguma vez, seria fatal para a causa de agora – visto que uma das Verdades de Deus que leriam seria esta: “Meu reino não é deste mundo.” E escutariam Cristo dizer: “Dai pois a César o que é de César” – ou seja, prestem toda a obediência civil à autoridade civil, “mas a Deus o que é de Deus.”
Deixe o Senhor governar no reino da mente e do espírito, e César no reino do governo civil! Permita que o Estado faça seu trabalho e nunca interfira com a Igreja! E permita que a Igreja faça o seu e nunca interfira no Estado, e nem sofra interferência dele! Os dois reinos são separados e distintos. Longas linhas de demarcação sempre são traçadas entre os poderes espirituais e temporais ao longo de todo o Novo Testamento – e o dano ocorre quando os homens não as enxergam.
Cristo é a Cabeça da Igreja, e não ninguém que represente o Estado. Irmãos, pensem só por um minuto sobre os danos que esta doutrina da liderança do Estado tem causado. Existiu um tempo em que os homens dificilmente poderiam ser diáconos sem tomar o Sacramento na Igreja Estabelecida. Oh, as múltiplas hipocrisias que foram perpetradas todos os dias por homens destituídos da graça, os quais vieram qualificar-se para o ministério adotando símbolos da nossa fé sagrada quando não conheciam Cristo! Estes fatos são mais ou menos inevitáveis ao sistema. Pense de novo em quais perseguições surgiram como resultado deste erro. Não se pode colocar um grupo religioso em posição de ascendência, senão cai em perseguição – todos eles têm perseguido, em contrapartida, quando assim tentados.
Não há o que escolher entre um e outro, exceto, como às vezes digo, os Batistas nunca perseguiram porque nunca tiveram a oportunidade. Mas não insistirei nem mesmo nisto. É parte da natureza humana fazer o mal quando a artilharia civil está pronta para esmagar a consciência, e portanto Cristo removeu a tentação do caminho e a colocou fora do alcance do Seu povo, se estes mantiverem-se atentos às suas regras no que se refere as armas carnais. Ele lhes afirma que suas armas de batalha não são carnais, mas espirituais, e, por isso, poderosas em Deus para destruir fortalezas. Que humilhação para a Igreja de Cristo o pensamento de possuir qualquer outra Cabeça diferente Dele!
Ah, Irmãos e Irmãs, se o monarca fosse a pessoa mais santa e devota que já viveu, ficaria extremamente preocupado por ele se recebesse, em algum sentido, a designação de Cabeça da Igreja! Como tal pessoa oraria? Como poderia um pobre pecador – e tal como o melhor homem ainda o é – achegar-se diante de Cristo, orar a Ele e dizer: “Senhor, sabe que sou a Cabeça da Sua Igreja?” Parece-me ser um clamor detestável, uma blasfêmia horrível! Não tocaria neste título por prêmio nenhum, nem com a ponta do meu dedo se tivesse esperança de ser salvo! Não ousaria expor meu amigo, nem mesmo meu inimigo, ao terrível risco que correria adotando um título como este!
Não julgo ninguém, Deus me proíbe de fazê-lo! Mas se visse neste mundo um homem absolutamente perfeito, cheio de luz e do Conhecimento Divino, e este me perguntasse: “Devo adotar este título?” Eu me ajoelharia e diria: “Por amor a Deus, por amor à sua alma, não toque nisto, porque como poderia, com sua iluminação, e conhecimento e amor por Cristo, tirar Dele um dos Seus mais sublimes nomes”? Mas o que devo dizer quando o monarca é o oposto? E tais casos tem ocorrido. Não preciso levá-lo muito atrás na história. O nome Jorge IV não possui nenhum cheiro de santidade notável – e o mesmo pode ser dito de Carlos II – nunca ouvi historiadores se referirem a ele como eminente em piedade.
Mesmo assim estes homens foram cabeças da Igreja! Estremeço ao ser obrigado a relembrar um fato tão deplorável. Homens, cujo caráter não deve ser lembrado sem corar as bochechas foram cabeças da Igreja de Jesus Cristo! Deus tenha misericórdia desta terra por ter decaído a este ponto, porque não tenho conhecimento de países pagãos que tenham blasfemado contra Deus mais do que nós ao permitirmos corruptores cruéis levarem sobre si o título de “Cabeça da Igreja de Cristo”! Não, meus Irmãos, isto não pode ser tolerado em nenhuma Igreja com a qual tenhamos comunhão! Repudiamos esta situação! Sacudimos a abominação da mesma maneira que Paulo sacudiu a víbora que acometeu sua mão no fogo!
A mesma repreensão é apropriada para algo que tem sido tolerado em muitas Igrejas, ou seja, a liderança de grandes mestres religiosos. Estes, às vezes, enquanto ainda vivos, tem sido praticamente considerados seus supremos árbitros. A vontade deles era lei, sem considerar o Livro. Seu decreto permaneceu, sem considerar a Escritura.  Tudo isto era perverso! Algumas Igrejas nos dias de hoje reverenciam de modo extremo nomes de homens mortos. Os Pais – não deveriam ser, de alguma maneira, tão notáveis quanto os Apóstolos? Temo que os nomes de John Wesley, João Calvino e outros não raro ocupam o lugar que pertence a Jesus Cristo. Que cada Igreja Cristã declare agora que não segue homens, mas obedece somente ao seu Senhor.
Percebam vocês, irmãos e Irmãs, a verdade que revelei de certa forma, e com veemência, refere-se igualmente à própria Igreja, pois esta não é a sua própria Cabeça—Ela não tem direito de agir baseada no próprio julgamento, à parte dos estatutos do seu Rei! Ela deve recorrer à Bíblia—todo o necessário está contido neste livro. Não tem o direito de fazer uso do seu próprio julgamento, desconsiderando seu Mestre. Deve ir a Ele. É uma serva cujo Senhor é supremo. O poder da Igreja é duplo. É um poder para testemunhar ao mundo a revelação de Cristo. É posta como testemunha e deve agir como tal. Também, possui um poder ministerial através do qual cumpre a vontade e as ordens de Cristo como sua serva e ministra.
Certo número de servos se reúnem no auditório — possuem uma ordem para fazer tal trabalho — e também ordens de como realizá-lo. Então fazem considerações entre si quanto aos pormenores – como podem melhor observar as regras do Mestre e cumprir Sua ordem. Estão agindo perfeitamente. Mas suponha que comecem a considerar se os alvos propostos pelo Senhor eram bons, ou se as regras dadas por Ele não deveriam ser alteradas! Tornariam-se imediatamente revoltosos e correndo o risco de exoneração. Então, uma Igreja reunida para considerar como aplicar a vontade do Mestre e como fazer valer Suas leis age de modo correto.
Mas uma Igreja reunida para criar novas leis ou governar de acordo com o próprio julgamento e opinião – pensando que esta decisão terá peso – cometeu um erro e se colocou em uma posição ilusória. A única doutrina a qual busquei apresentar é esta: que Ele, e somente Ele, é o comprador e salvador da Igreja é que deve governá-la.

V. Porém, se assim é, QUAL É A LIÇÃO ENSINADA A CADA UM AQUI? Não os leva a perguntar, “Se toda a Igreja deve assim render obediência a Cristo, e a ninguém mais, eu estou agindo de modo conforme? Clamo ser Cristão, mas sou eu daquele tipo parcial que segue aquilo que foi ensinado no início, e então reconhece as regras dos pais e mães em lugar das de Cristo? Tenho trazido o que confesso ser a Verdade De Deus à luz das Escrituras? Já gastei 15 minutos avaliando minhas preciosas opiniões?” Temo a enorme massa de Cristãos que nunca agiu assim; mas tem sugado sua religião com o leite da sua mãe e nada mais.
De novo, se sou um Cristão, eu tenho o hábito de julgar meus atos baseado nos meus próprios caprichos e desejos, ou os julgo baseado nos Estatutos do Rei? Muitos dizem que isto ou aquilo os desagrada – como se fosse importante! Quais são suas preferências e antipatias? Você é um servo limitado a entregar sua vontade ao Senhor! Se Cristo lhe dá uma ordem que você pensa ser difícil porque não combina com seu amor à comodidade – meus Irmãos e Irmãs, não irão vocês, como servos do Senhor, colocar de lado seus caprichos e esforçar-se para segui-Lo? Oh, esta é uma vida abençoada para se viver – não ser mais servo do homem nem de si mesmo – mas ir ao Senhor todos os dias em oração e dizer: “Senhor, o que eu não sei, ensina-me.”
Então poderá rir da ira de Satanás e enfrentar o desdém do mundo, porque o Senhor nunca irá abandonar os que se apegam a Ele! Se um homem ama os testemunhos e mandamentos do Todo-Poderoso, Deus será sua armadura, seu escudo e sua torre forte. Mas se ele se esquiva para suas próprias suposições, sua queda será certa! Que o Senhor guarde a Igreja neste assunto, e seu dia de vitória logo chegará. Que Cristo seja sua única Cabeça e que seu triunfo se aproxime! Posso enxergar o romper da manhã – naquela direção estão os primeiros raios de luz no céu – o Senhor está vindo porque a Igreja começa a reconhecê-Lo – e então seus dias de alegria começarão e seus dias de lamentação nunca mais existirão.
ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVIFÍCO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA
FONTE:
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização de Allan Roman.
Sermão nº 839 — Volume 14 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,
 Tradução: Adriana Misiara Rodrigues
Revisão: Armando Marcos
Capa: Victor Silva
Projeto Spurgeon – Proclamando a Cristo crucificado.
Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.
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http://www.projetospurgeon.com.br/2013/02/o-cabeca-da-igreja-papa/